sexta-feira, 1 de junho de 2012

Desabafo

Com um lápis e um papel esquivo-me da prisão
Cá tenho alvedrio em meu mundo de ilusão
Não anseio ser diferente...só...ausente
Neste cálice que me corrói até o derradeiro fio de esperança
Que herança ignomia deixaste para mim...que levarei até o fim

Como desvirtuar o que nunca está igual?
Como ser careta se ser insano é normal?
Como retificar tudo de tortuoso se a lei é desigual?
Também posso ser afortunado neste caos-carnaval

Onde a verdade assombra
E dissimular a vista é a saída para não notar o mundo errôneo
Vamos dar risada...migalhas de pão
Para o infante nesta prisão

Sem grades...teto estrelar...tapumes de chão
Onde o ar é grátis...mas saldamos para contaminá-lo
Onde a poeira não baixa...já desce pelo ralo

Vamos sair...já estou extenuado de me planejar
Planejamento subliminar...sem raciocínio...televisão à elucidar
Não vou camuflar nada...não temos que se mortificar
Ser afável à toa e o mundo a nos subjugar

Partamos para rua...dar a face a bater
E obtemperar de outra maneira...mas não sabemos nem escrever
Brasil
Há de ser um Brasil melhor

Curiosidade Sísmica


"Acatar a privacidade alheia é sufocar a própria curiosidade sísmica".

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Egoinfeliz


"Em termos de felicidade eu sou extremamente egoísta...egocêntrico...egomaníaco...egoinfeliz".

terça-feira, 10 de abril de 2012

Oração do Coração Perdulário


Agora a luz aquece de longe
Transpõe fiapos de nuvens amanhecidas
Sopro realista alisa minha face
Começo a despertar da noite concedida

Se ainda embriagado pela fome
Tu não foste o mais sincero mentiroso
Como sempre tivera e agora some?
Dou-te mais uma chance coração danoso

Que a dor é tão velha que pode falecer
A felicidade tão sacra que pode ressuscitar
Que a vida é tão justa que pode acertar
O momento exato de reviver

Perdoe agora meu coração perdulário
Que ama mais do que pode e sofre mais do que deve
Ouça pelo saltério os lamentos dos excluídos
Conserve sentimentos para quem realmente merece

Sob felizes auspícios há de anoitecer
A assertividade se instalar
O pernicioso se ocultar
E a fausta felicidade permanecer

Amém

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Antirreflexo

Memórias rasgadas
Aparentemente apagadas
Tinta bruta permanente
Permanentemente afiada

Sangra o que não deve
Porém, o que não se percebe
É o gosto...gostoso
De quem gosta do desgosto

De quem sente o assombro
De tudo que não lhe convém
Quando na melhor companhia
A solidão lhe cai bem

Memórias anuviadas
Pela tinta que dimana
E mancha a marcha do tempo
Que devagar flui como um rio...sedento

Sangria desenfreada
Sanguessugas da alma
Das almas penadas que somos nós
Sozinhos em nossos lençóis

Espelho meu abdica desta farsa
E só reflita o que for verdadeiro
Sem truques, caras e bocas 
Apenas a face hermética...ainda presa no cativeiro

Antirreflexo da felicidade
Que não suporta o fim...start da vaidade
Mesmo não entendendo
Que o mesmo está ao lado de cada início inesperado

Continua...

Antirreflexo II (tabula rasa)

Constrói a história do tempo
O tempo que se inicia após o fim inesperado
Já que juntos cursam por toda a eternidade
E combatem o antirreflexo da felicidade

Feliz seja tudo que lhe convém
E o que não...amadureça longe do seu quintal
Seja feliz mesmo que não convenha
Pois o que se colhe verde apodrece no final

Grandes novidades no museu da alma
Pinturas, musas e esculturas...de carne
A entrada é franca...ou quase nada
Apenas deixe para trás a tinta já usada

Somos tabulas-rasas prontas
Prontamente inconscientes do que nos espera
O certo é que o preenchimento é inevitável
Inevitavelmente recobre as manchas de outra era

Uma semente cresce em seu jardim
Florestas voltamos a ser
Pois mesmo em terrenos inóspitos ouve-se o toque do clarim
Proclamando que voltamos a ter...o que nos faltava...ser

Hoje, nem tintas afiadas
Nem tabulas-rasas
O preenchimento inevitável aconteceu
Assim é você...assim sou eu

Tiflose

Às vezes, ser cego é enxergar além.
Sentir
As saliências do seu semblante desbotado
O bálsamo da matiz púrpura de seus olhos
O volume inesperado de tua boca

Ilumina
A paisagem do meu olhar
O breu do que vejo
Que se colore nos devaneios contidos em você

Vejo
O sentimento tão aguardado
Impossibilitado tantas vezes
Pelo conceito pré-deformado

Comportas
O meu mundo em desejos profundos
Profanas alegrias
Clareiam o mais inóspito dia

Enceta
A vida tão resguardada
Hirta pela luz, claridade que falta
Assustada pela cor que tinge minha alma

Aprendi
Que sobrevivendo vou aprendendo a sobreviver
E que sobre viver
É viver vivendo intensamente sem saber

Concluí
Que a luz que me falta não faz morrer
Pois a luz que importa, ilumina e salta aos olhos de viver
Está bem a frente...está em você